A teoria estratégica conta com duas correntes bastantes fortes para determinar o modo como uma empresa se relaciona com o mercado, a mais tradicional delas é a análise SWOT, por ela, a empresa analisa suas forças e fraquezas internas e as ameaças e oportunidades de seu mercado de atuação. Corrente recente da estratégica, a Visão Baseada em Recursos, disseminada nas idéias Wernerfelt e Mintzberg e aponta em outra direção: a empresa deve olhar primeiro para dentro, identificar em sua atuação, aquilo que pode ser apontado como uma Vantagem Real frente a seus concorrentes, classificada assim como uma competência organizacional, sendo assim seus meios principais para competir. Feita esta analise, resta a pergunta: quais necessidades de mercado a empresa atinge de modo distintivo, melhor que seus concorrentes, que lacuna essa empresa busca preencher, a qual necessidade de mercado ela deve se propor a enfrentar?

Mas em que esse tema se relaciona com você? Em minhas aulas de Gestão de Carreiras no MBA Administração da FEARP USP sempre inicio a reflexão com os alunos por esta linha. Trago o assunto por esta perspectiva pois adoto uma linha de aula onde busco evidenciar que a responsabilidade pela carreira e do executivo, busco assim colocar a perspectiva de que o maior bem de um executivo, tendo em vista a perspectiva profissional, é sua carreira e a gestão que faz dela, desse modo, na condição de um bem, a carreira deve ser gerida. Penso que executivo deve olhar para si mesmo e avaliar em seu perfil aquilo que pode ser apresentado como uma vantagem sobre seus concorrentes, e em perspectiva que necessidades de mercado o executivo pode preencher.

Há muitos meios para se identificar quais são essas vantagens, há um teste muito interessante desenvolvido por Edgard Schein, é o teste de âncoras de carreira, por meio dele você pode obter uma idéia sobre sua “âncora” sendo ela “Competência Gerencial”, “Autonomia /Independência”, “Serviço e dedicação a causa” ou uma das outras cinco possíveis “âncoras”. Há links para realizar esse teste gratuitamente na web.

Complementarmente há os testes que identificam os perfis de liderança como o MBTI (Myers-Briggs Type Indicator) ou o Inventário de Habilidades Sociais (IHS – Del Prette & Del Prette) para ficar nos mais famosos. Estes são pagos e há consultorias que os aplicam, mesmo em formato a distancia. Recomendo inicialmente o Schein, estes últimos são bastante focados em perfil de liderança, e ninguém aqui esta dizendo que é preciso ser líder para ser feliz, ou mesmo para construir uma boa carreira.

A reflexão que nos cabe aqui é: qual a sua vantagem? Como você enfrenta o mercado? Em que você pretende se destacar? Quanto pode ganhar com esses diferenciais?

Esta é uma daquelas circunstâncias de aprendizado onde o processo de reflexão gera maior retorno do que o resultado ou a descoberta em si, refletir sobre esse tema nos move da zona de conforto, nos impede de ir “tocando o barco” naquela “correria de sempre” e nos obriga a refletir e agir em prol da gestão da carreira.

Identificada a vantagem, como você vai explorá-la? Quais seus objetivos, em quanto tempo pretende alcançá-los? Quais suas estratégias? Mas estes são temas para outros artigos.

Tempos de grande empregabilidade como os que estamos vivendo nos afastam dessa reflexão, mas acreditem, é esse o momento de solidificar vantagens que serão percebidas depois.

Se este artigo lhe provocou uma boa reação, mova-se, transforme reação em ação: vá a web em busca do Schein, reflita, e preferencialmente registre seus recursos, assim você não fica apenas em busca de oportunidades, mas das oportunidades certas, desse modo fica mais simples identificar lacunas no mercado, que alguém com seu perfil suprirá melhor que todos!

* Agradeço ao colega Prof. João Augusto Ramos e Silva da UEMA, exemplo de força na vida que me despertou para essa possibilidade inovadora de analise de carreiras.

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